A Year To Remember, A Day To Forget

Novembro 22 2012

“Oh Jimmy… será que algum dia vamos ter Paz?” – perguntei-lhe enquanto entravamos para a esquadra.

“As nossas vidas davam uma novela, não é?” – disse com ligeiro sorriso forçado.

“É mesmo… nunca mais afirmo «isto só acontece na TV»”

“Mas acho que… apesar de tudo… somos felizes… não somos?” – eu olhei-o nos olhos, quis-lhe responder que sim, mas… algo me impediu de o fazer naquela altura.

“Se eu descubro o sacana que te pôs aqui… Oh Jimmy e… e se tu vais dentro?”

“Não vamos pensar nisso…”

“Sr. Guarda!” – disse para o polícia – “Quem é que apresentou queixa?”

“Pediu anonimato…”

“Ai pediu anonimato?” – virei-me para o Jimmy – “Acabei de descobrir o sacana, aliás… nem podia ser mais ninguém! Eu juro que dou cabo dele!!”

“Peço-te que tenhas calma e não te metas em confusões…”

“Vou avisar os chavalos que nós estamos aqui…” – disse, tirando o telemóvel do bolso. Mandei uma mensagem ao Johnny, ao Johnny e não só…Não tardou a que eles lá chegassem. – “Malta, desculpem… eu tenho que sair… acabou-se-me o tabaco e… tenho que ir comprar…”

“Vai com cuidado… já é noite!” – disse o Jimmy.

“Sim paizinho, amo-te muito” – disse aproximando-me dele, dando-lhe um beijo. Saí da esquadra a correr… tinha umas contas a ajustar e estava prestes a fazer algo que jamais pensei ser capaz de fazer. Estava agora em frente aos portões da casa que me trazia tantas recordações… Recordações de quando eu pensava que era feliz… triste inocência… Eu não conhecia o verdadeiro significado do conceito “Felicidade”… pelo menos, até conhecer o Jimmy. Entrei pelos portões, subi a escadaria da entrada e quando ia para bater à porta, esta abre-se.

“Estava à tua espera… fiquei preocupado quando me mandaste a SMS”

“Mas tu lá te preocupas com alguma coisa Rafa?”

“Quando o assunto me interessa… sim. Vá não fiques aí fora, entra!” – assim o fiz – “Estamos cá sozinhos… assim estamos mais à vontade… Senta-te…” – disse, sentando-se ele também. “Queres beber alguma coisa ou… Ah, é verdade! Tenho ali umas pastilhas que fazem magia… se é que me faço entender…” – ele parou de falar e olhou para mim… recomeçando a falar novamente – “Estás tão calada… que tens?”

“Tu vais retirar a queixa-crime que fizeste contra o Jimmy.”

“O quê?”

“Estou a dizer que vais retirar a queixa.” – ele começa-se a rir, como se alguém tivesse acabado de contar uma anedota.

“E o que é que eu recebo em troca?” – perguntou com um sorrisinho meio perverso, ao que eu sorri também, levantei-me, e, de seguida, sentei-me no colo dele.

“Não sei… o que é que tu queres?” – perguntei com um sorriso forçado.

“Se tu me conheces bem… sabes que só preciso de duas coisas para ser feliz… uma acho que acabei de conseguir… e a outra… aposto que tu me ajudas a arranjá-la.” – disse, com o sorriso e agarrando-me pela cinta. Ia para me beijar, mas eu travei-o.

“Eu arranjo-te a cocaína, mas tu vais retirar a queixa!” – disse, encostando-lhe uma navalha ao pescoço.

“E se eu me recusar a retirar a queixa?”

“Tu não me ponhas à prova, Rafael!”

“Não conhecia esta tua faceta!”

“Foi uma das poucas coisas úteis que aprendi contigo.”

“Só uma perguntinha… tu vais-me arranjar a coca? Não será também um risco para ti?”

“Onde é que queres chegar?”

“Não te faças de parva… Ambos sabemos que tu precisas de droga a correr-te pelo organismo! Achas que consegues resistir à tentação?”

“Tenho algo bem melhor ao meu lado, do que uma simples seringa ou um pozinho qualquer!”

“Estás a falar daquele coitado? Ele está-te a tornar numa betinha… deixaste de fumar, deixaste de te injetar… até Ecstasy tu já tens medo de ingerir.”

“Se tu me conhecesses minimamente saberias que ninguém me obriga a nada! Eu deixei-me dessas coisas porque quis!”

“Porque ele te obrigou a prometer que não consumirias mais!”

“Não, ele não me obrigou! Eu amo-o Rafa! Amo-o de verdade!”

“E a mim? Vais-me dizer que não sentias nada por mim?”

“Acho que estaria a mentir a mim mesma se o dissesse… Sim, eu gostava de ti, adorava-te… Aliás… o que eu sentia por ti era mais obsessão do que amor…”

“Miúda, tu estás ridícula! Olha para ti! Tu dependes dele! Fazes de tudo para o agradar! É como se precisasses dele para viver.” – neste momento soltei um outro sorriso forçado e respondi-lhe:

“E tu? Já olhaste bem para ti? Diz-me uma coisa… Quem és tu sem os teus «pozinhos mágicos»?”

“Pelo menos não ando a arrastar-me como se fosse um cadáver ambulante, a fazer um esforço enorme para não consumir drogas, simplesmente porque quero agradar a uma certa pessoa!”

“Acredita que para mim, este esforço vale a pena!”

“Estou farto desta conversa… Vou ligar para a esquadra. Eu retiro a queixa, mas amanhã, sem falta, eu quero a cena!”

“Entendido!” – disse, guardando a navalha de novo.

“Ah, e se eu fosse a ti não andava com objetos desses nas mãos… são perigosos…”

“As pessoas conseguem ser bem mais perigosas que uma lâmina.” – respondi-lhe, saindo sem lhe dizer mais uma palavra. Tinha agora, de arranjar maneira de desencantar a droga, desse por onde desse! Liguei para uns gajos… um gang, já os conhecia à muito tempo, ele arranjavam-me isso com facilidade.

“Há muito tempo que não nos solicitavas!” – disse um dos elementos do referido gang, enquanto se aproximava.

“É, não tenho precisado muito. Então e quanto é que eu te devo?”

“Esta fica por «conta da casa». Então e… conta-me… como é que anda o teu Rafa? Ele ficou com medo do pessoal?”

“Eu ele já não…”

“Lamento imenso.”

“Eu não! Bom, tenho de ir andando… Ah e… obrigada!”

“Sempre às ordens! Gostei de te ver!”  - Dali fui direta para casa do Jimmy. Se o Rafa já tivesse retirado a queixa, com toda a probabilidade ele estaria lá. Foi quando recebi uma SMS do Jimmy a dizer: “Onde andas? Estou preocupado contigo… é noite cerrada e tu nunca mais apareceste.” Tinha perdido completamente a noção do tempo, tentei despachar-me o mais possível, quando cheguei a casa a primeira coisa que fiz foi correr para os braços do Jimmy.

“Mas onde é que tu estiveste? Estava tão preocupado!”

“Eu disse-te que fui comprar tabaco!”

“O Johnny disse-me que tu deixaste de fumar!” – Eu não sabia o que dizer… Não lhe podia contar que envolvia droga. Depois do que aconteceu na Califórnia… provavelmente, ele nunca mais me falava. Mas também não lhe ia mentir… Optei por não lhe esconder nada.

“Jimmy, eu… Eu fui ameaçar o Rafa para ele te retirar a queixa” – disse, segurando a lâmina que havia usado para a ameaça – “E ele em troca… pediu-me isto…” – disse, atirando com o pequeno saquinho com  o pó lá dentro, para cima da mesa. Reparei que o Jimmy ficou com um ar sério a olhar para ambos os objetos – “Desculpa ter-te mentido.”

“Tu tocaste em droga?”

“Eu juro que não consumi, Jimmy!”

“E aquela navalha?”

“Eu não magoei ninguém!”

“Tu foste parar ao Hospital na Califórnia com uma overdose de Heroína e agora apareces-me em casa com um objeto cortante e um saco com droga? Eu acho que ainda não conheço a rapariga com que estou!”

“Jimmy, por amor de Deus! Eu jamais te mostraria isto se estivesse a fazer algo de errado!”

“É que agora eu vejo que tu tens fácil acesso a este tipo de coisas!”

“Jimmy!” – agarrei na sua mão – “Não nos vamos chatear outra vez pois não? É que acabamos de nos reconciliar!”

“O problema é que, pelos vistos, eu não te conheço!”

“Onde queres chegar?”

“Eu acho que… não, a sério, é melhor dar-mos um tempinho!”

“O quê? Ouve lá porque é que não acreditas em mim?”

“Bem com o teu passado e com base em acontecimentos recentes, acho que tenho motivos para desconfiar!”

“Eu fiz-te uma promessa, Jimmy!”

“Que eu não sei se estás a cumprir, agora que vejo que tens tanta facilidade em adquirir o que queres!”

“Estúpido! Estás a ser estúpido! Não mas… tudo bem! Queres um tempo… eu dou-te o tempo! Mas não esperes que eu ande aí caída aos cantos a chorar por ti conforme aconteceu na Califórnia!” – saí de ao pé dele e fechei-me na sala, sozinha.

escrito por Tay ✖ às 01:17

"Não vale a pena negar... Estamos diferentes e ambos sabemos disso..."
Tay Sullivan
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